A Deusa e a Liberdade



A DEUSA E A LIBERDADE


— Hoje terás que sair do seu quarto! — Acabou o luxo dessa conspiração que possui entre a sua honra e o resto do palácio. — Não poderás chorar para uma das suas criadas que te escovam, te limpam e te dão de comer em pratos de porcelana. — Foi bem educada e sabes que hoje finalmente chegou o dia. O dia do seu casamento.

Em outrora. Aos seis anos de idade, perdera a mãe e desde a sua infância, seu pai achou certo educa-la ao nível de que todos da corte a reverenciavam como uma dama. Todos os dias ela e o pai acordavam às cinco horas e se banhavam na água gelada do rio, cavalgavam os cavalos selvagens e de lá ela seguia a rotina de etiqueta e línguas. Aprendera a usar todas as ferramentas e armas. Tornara-se campeã em esgrima e corridas de cavalo. Domou os piores cavalos e aos quinze anos havia se tornado uma mulher ao crescer rapidamente devido os exercícios com os cavalos.

Aparentemente linda e chocante, suave, serena e perigosa.

Nos bailes a viam como a sedutora mansa e cruel. Pois, ao cavalgar chicoteava os cavalos para impor limites entre ela e o animal. O animal submisso as suas regras confiavam e assim, ela os amava retribuindo depois, com a maciez de suas mãos ao penteá-los.

Rigorosamente invejável, intocável e brilhante por natureza, a sua devoção ao sentir a vida que pulsava junto ao vento matutino das manhãs em seu rosto. Seu pai que a amava e que a cuidava em desalento mantinha o rosto da filha coberto por uma máscara de veludo para que o vento não rasgasse a sua pele de porcelana.

Enquanto, que as damas da corte apenas conseguiam abrir um guarda-sol sob a ajuda do marido. Ela poderia dominar todo o reino em força e conhecimento.

Suas lágrimas derramavam sob o travesseiro ao saber que o pai, era o homem que tanto confiava e que depositou a sua vida. Agora, deixaria ser levada por um homem quarenta anos mais velho. Não o conhecia, apenas a sua fortuna. Os olhos do pai cegaram-nos e a gentileza, o cuidado e a confiança foram embora, assim, como o sentido de viver. Ela não conhecia o amor, era virgem e a sua conduta e disciplina seria dar aos superiores da corte a prova da consumação das núpcias. Depois, de alinhar-se em sua cadeira de recosto alto com as mãos das criadas a penteando, fez uma pausa ao ouvir a voz do pai que mudara entre o umbral da enorme porta.

Ele estava sendo apenas o rei, nada mais. Não havia o sustento de uma mulher na qual ordenara a ele a confiança de que uma mulher tinha sentimentos. Ela queria ser entregue ao homem que o coração fosse desperto. Mas, ao invés de amor, havia empunhado medo.

A ordem vinha do seu pai, o rei de Rouen. Toda a cidade estava em completa destruição pelos bárbaros, os estrangeiros. E, tudo que ele queria era que a filha fosse a esposa do rei mais rico e poderoso que ele. Ela poderia estar segura.

Enquanto o seu pai pensava em proteção, ela pensava em amor.

E, o triste dia chegou.

Levada e dada em mãos ao homem mais poderoso da França. Ela sentiu uma pontada em seu coração e soube de antemão, que o último dia de sua vida seria o suspiro em alguma cavalgada. Pois, a sua liberdade fluía quando dominava os ventos e o cavalo. A sua maior alegria era quando os vastos caminhos de vales se contorciam rios abaixo e o cavalo que a levava decidia a sua própria vida.

Muitas vezes, ao cavalgar, deixara o cavalo decidir a sua vida. Assim, a manifestação da alma da saudosa mãe pousava sobre a sua cabeça quando ela fechava os olhos e o cavalo pulava as valas e os frisos profundos de chão que se ressaltavam em outras dimensões, dando voltas em pequenas fontes e nascentes. Ela então, abria os olhos e via que não chegara o momento, mas que um dia não muito distante, ela poderia ter a liberdade total.

Dois anos passara com frequentes visitas do rei, o seu pai e do papa para tentar entender porque ela não tinha filhos. Subestimada aos olhos do rei e amada por outro, ela viveu e esperou.

Por ultrajante e a força ela foi possuída por seu esposo e deu à luz uma menina. Consequentemente, após os bárbaros terem invadido Rouen não adiantou a segurança do palácio colocando fim a vida do rei.

Ela ficara sozinha e herdou a herança e a prole do rei sendo substituído aos costumes de que a cadeira logo fosse preenchida por outro, e ela mais uma vez, temeu o seu destino.

Constituída por força ela saiu do aposento para uma última cavalgada onde os olhos de um rapaz a fez feliz pela primeira vez, ela estava decidida por sua vida e ele por amá-la aquela noite. Os dois fizeram amor sob a grama e sob a lua que ardentemente brilhava no céu. O cortejo em segui-la onde quer que fosse e as escapadas ao aposento dele fizeram a suspeita de infidelidade, mas a influência dela nas assinaturas dos documentos da corte foi mais relevante que duas famílias traídas.

Seu amado foi prometido por uma esposa que ao invés de amá-la, deixou-a ver todas as vezes que levara a sua amante para o quarto. A intensidade dos dois ao brilho das toras acesas deixavam-na perplexa. Os dois se amavam e faziam amor de forma que ele nunca fizera com ela. O beijo que eles davam eram inusitados ao olhar da esposa. — Extravagante!

Contudo, o tempo de amor trouxe um final trágico entre a sua vida e a vida do seu amado.

Henrique estava enfeitiçado e Diana enlouquecida. Ambos, foram presas de seu próprio tempo, deixando a esposa dele viúva e o seu esposo comandar outro reino com uma cadeira a preencher.

O amor prevaleceu em parte do que ela mais amava, a liberdade.


Original: Claudianne Diaz
Texto com ©DIREITOS AUTORAIS 

Leia também!

A Deusa e o Guarda - Chuva de Ártemis

A Deusa e o Corpo Lúteo

A Deusa e a Nova Genoma

A Deusa e os Tributos de Leis

A Deusa e a Limalha do Tempo

A Deusa e a Ciranda de Energia