A Deusa e o Pássaro



 

A  DEUSA  E  O  PÁSSARO


Abruptamente um som de asas juntamente com um enorme estrondo perfurou o teto, caindo em redemoinho sobre a minha cabeça ao travesseiro. Assustei-me, ao ver o enorme pássaro que comunicava apenas com o olhar, viera das plêiades a mando da mãe de todas as sementes estelares.

Ainda inerte com os olhos arregalados, tentei puxar uma mecha do meu cabelo que estava sendo pinoteado pelos seus pés. O peso dele sobre a força quando puxei não parecia ser um simples pássaro, mas algo que continha a mesma densidade dos minérios do fundo do mar, quando as lascas de estrelas se rompem devido a explosão de hidrogênio e se formam as partes de ouro.

Ele, por sua vez em sintonia com o desespero que eu o contemplava, fechou as enormes asas e num piscar de olhos toda a densidade desapareceu. Me vi diante dele sobre as nuvens espessas no céu prontas a serem escaldadas. As águas que de lá desciam molhavam toda a cidade que eu via sob os meus pés.

Vi enormes edifícios que ao longe pareciam maquetes e pequenas casas. Espaços verdes e floridos. Do outro lado, havia fumaças que se erguia de enormes monumentos empresariais, o cinza que predominava e o verde que aos poucos desapareciam.

Uma voz dentro da minha cabeça se projetara ao espaço que mantinha em absoluto para mim e aquele ser. A voz ressoou num eco que a chuva lavava os benditos e os malditos. Toda aquela benção que ia de lá para baixo deslizava como dedos divinos, mas que ao preço de cada um viria ao seu tempo.

Alcione para uns e Hera para outros foi transformada em uma ave aquática por Zeus em completude de seu amor proibido, mas as ondas destruíam seu ninho, os éolos, ou seja, os ventos deixaram de soprar para que ela conseguisse aninhar-se e procriar. Mesmo assim, ela não se manteve a maldição que lhe foi imposta e outra deusa a transformou em parte das plêiades, onde as sete estrelas são reconhecidas pelas transformações cíclicas da terra. Seu desaparecimento no céu implica em possíveis mudanças para a humanidade. Ela se submetia em avisar os que por amor ao outro pudesse instruir. E, a mensagem dela ao meu parecer foi de incentivar a humanidade a se aprimorar, a não subestimar a caridade e estar dentro das leis da tríade.

O autoconhecimento, o aprimoramento e a caridade para então, ser transformado invisível aos olhos das maldições que viriam assolar a terra.

Uma folha amarelada se desenrolou ao chão fofo de algodão e eu curiosamente li. Quando os meus olhos começaram a varrer parte daqueles ensinamentos, o pássaro então voltou ao seu estado pleno e se metamorfoseou na deusa.

Suspirei ao vê-la.

— Se queres compreender o mundo terás que fechar os olhos da terra e abrir os seus olhos celestes. O mundo engana-os com instrumentos que ao invés de ajuda-los, destroem. Serás pega desprevenida, senão acordar rapidamente. A maldição dos sete anos é uma carta aberta, não é de forma alguma uma punição, mas a segunda parte da tríade, o aprimoramento. Se, conseguiste o autoconhecimento, compreenderás que a parte que fecha a tríade fará com que o selo do bem fosse parte deste.

Acordar no mundo terreno fará com que adormeça aqui outra vez, mas sempre que puder, volte. A lição nem começou. Terás que ser forte, porque o quão duro e triste será lá.

Apontou o dedo indicador para baixo, enquanto o papel amarelado se enrolava novamente. O chão fofo das nuvens desapareceu. Ela e o pássaro, e a luz daquele portal fora transformado em completa escuridão.

Fechei os olhos em negação e abri no mundo terreno.

Estava de volta em minha cama.

Sentei-me na esperança de que tudo que aprecie foi um sonho, mas havia ali uma importante mensagem.

A tríade da fé estava em processo, porque um novo mundo havia desperto e esse mundo era perigoso, todos deviam ser alertados do quão duro e difícil iria ser dali em diante. A fé só não bastaria, mas a esperança de lutar, de se encorajar, de ser salvo, porque a salvação era apenas uma parcela dos que iriam clamar.

Tudo no mundo iria ser mexido, até o cinturão de equador. A energia, a eletricidade, a água e as leis. A genética, o pensamento coagido, o comportamento, as ações, o estado consciente de tudo que na terra era composto por legítimo e considerado por vivo. A aptidão, os conceitos, o direito, o trabalho e as emoções. O medo, a angústia, a inaptidão, as crenças e as cláusulas. O tempo.

Com novas regulamentações emplacadas, regimes, ordens e desordens. Transparências de dados, impropriedade de pensamentos, privações, privatizações e controles. Informações de dados indevidos e recusa.

A tempestade de Órion se tornara legítimo e com a sua força varreria os fracos.


Original: Claudianne Diaz

Texto com ©DIREITOS AUTORAIS

Leia também!

A Deusa e o Guarda - Chuva de Ártemis

A Deusa e o Corpo Lúteo

A Deusa e a Nova Genoma

A Deusa e os Tributos de Leis

A Deusa e a Limalha do Tempo

A Deusa e a Ciranda de Energia